• Taís

Lírios


São todas estas tentativas tão falhas de explicar o que, talvez, não tenha explicação ou não se deva explicar.


Esta vontade de traduzir os sentidos para uma mente que não se cansa de tentar compreender saberes que não fazem parte da razão.


Isso tudo a cada suspiro, a cada reação que me faz estremecer quando algum fragmento teu invade a mente que mora dentro da minha alma — que ninguém tente me convencer que é ao contrário.


A cada lembrança, um vazio se preenche. Vazios da alma, vazios do corpo. Espaços finitos e infinitos que sabes como completar sem deixar lacunas nem arestas.


A cada lembrança um arrepio que percorre o corpo, entre olhos que se fecham e gemidos incontidos que escorrem entre dentes.

Dia e noite, noite e dia. Ecos de todos os sussurros nas madrugadas — gosto de quem fala enquanto ama.


Lembro de tudo ainda que saiba que não somos mais nós, e sim o que fôramos.

O rio que nunca para de correr segue seu curso. Às vezes tento correr mais que ele, às vezes, quero que se desvie e deságue em meu leito. Mas ele corre como quer, e nas cheias arrasta todos os lírios que plantei com tanto amor.


Ainda assim tudo ele irriga, tudo inunda e fertiliza.


E nós dois, acompanhamos a correnteza com a certeza de que a vida segue permeando seus misteriosos caminhos.


( Mosaico de Cintia Cimbaluk )

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