• Taís

Paramore


Enquanto ouço Paramore — "How can I decide what's right? When you're clouding up my mind." — os carros da Fórmula 1 seguem dando voltas no Circuito de Monza.


Dona Florinda acabou de dar outra bofetada no rosto do Seu Madruga e a cabeça do meu filho procura um carinho enquanto pousa na minha perna.


Já passa das 10 h e penso no que vamos almoçar, relembro o almoço na casa da Mi . O que será que tinha naquele fricassé? Doses maciças de alegria com generosas pitadas de amor?

Entre o fricassè e a ultrapassagem mal sucedida o outro chega, e este prefere o meu colo. Cortaram o cabelo, ficaram parecidos com meu pai numa foto de sua primeira comunhão. "The truth is hiding in your eyes. And it's hanging on your tongue." — e nada do Chaves sair do barril.


Amanhã já é segunda-feira! Tudo passou rápido e espero que os dias voem até a minha Primavera chegar.

Batata frita e bife, arroz de carreteiro, polenta com carne assada: o que dá menos trabalho e alimenta mais a alma?


Agora eles são répteis, rastejam pelo tapete procurando embaixo do sofá os Hot Wheels perdidos.


Dá trabalho ser criança.


Hamilton na segunda posição. Leclerc tá focado. Ele é apenas um menino, mas corre pela Ferrari. —" I think I know, I think I know. There is something I see in you".


Os olhos do Pedro Lamares declamando Alberto Caeiro estampam minha mente e também os ecos sobre outra Primavera.


O Stormtrooper tenta não cair enquanto o primeiro raio de sol finalmente resolveu sorrir depois da chuva. Dentro de mim folhas secas e verdes se entrelaçam num redemoinho de cabelos, ao mesmo tempo em que bocejo e lembro que ainda não bebi água.

Tá quase na hora, o último riff de guitarra já tocou, a próxima música da playlist é Virgem. Acho que bife com batatinha frita ainda é o que faz todos mais feliz.


Outubro logo chega, os guris fazem 6 anos, mais 2 fios de cabelo branco e faltam 24 dias para eu voar outra vez. Vento me leva, vento me traz e quem sabe um dia me leva de vez.


São 11:45h, já foi meia garrafa d'água com sabor do creme dental que flutua no céu da boca. Os fones de ouvido machucam tanto quanto as palavras que não quero ouvir.

Por que tudo que escrevo parece triste se a tristeza

não mora em mim?

Um dia ainda escrevo sobre tu/você.


SETEMBRO DE 2019

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